55TIPS

Emprego X Trabalho: o que você tem?

Já passou da hora de questionarmos esses conceitos.

O Brasil está passando por uma série de incertezas nos cenários econômico, social e político. Diante dessa pequena introdução, eu trago aqui uma provocação: você trabalha ou tem um emprego? Não sabe a diferença? Então, segue lendo porque isso pode te ajudar. O primeiro, se trata de uma relação entre duas pontas, desde que o outro me dê algo em troca.

É assim: eu te vendo o meu tempo e você me paga por isso e pelo que estou produzindo. 

Eu tenho visto e conversado com muita gente nessas duas últimas semanas. A maior parte dessas pessoas não gosta do emprego, mas se sente bem com o que faz. Ao mesmo tempo, apesar de não gostar, está sofrendo pelo medo de perder e sem saber o que fazer.

E aí eu acho que já é hora pensar que o mercado começou uma mudança e que não vai voltar a ser o mesmo de antes desse período de pandemia.

É claro que temos que nos adaptar rápido. No entanto, precisamos ressignificar o que é o trabalho e internalizar,  de uma vez por todas, que não é a mesma coisa que um emprego. Porque, de repente, esse é um caminho para enfrentar melhor essa crise.

O trabalho é a nossa relação com o mundo, é como queremos nos relacionar com ele.

É entender o que se tem, para poder colocar para fora e descobrir um canal para distribuir isso – e esse não é um problema da organização, é uma questão individual. Trabalho é um esforço intencional, seja para criar um produto, prestando um serviço, comercializando alguma coisa ou criando valor para algo que alguém já criou. 

Você já parou para pensar no impacto que teria, se cada um de nós conseguisse entender essa questão? E isso não é só autoconhecimento. Pense não somente no que você é bom, mas, principalmente, no que te motiva.

Avalie: o que te faz ganhar dinheiro, ter um impacto social e, ao mesmo tempo, conseguir satisfação psicológica. 

Depois de uma crise que tive no ano passado, pude constatar de vez que não me adapto mais a uma realidade em que existem pessoas se fiscalizando, em que ninguém confia em ninguém e que os outros vivem em um universo paralelo não sabendo que têm limitações e, obviamente, não enxergando o limite do outro. Essa é uma realidade de lugares e companhias em que as pessoas estão ali por causa do emprego e não necessariamente pelos resultados que estão entregando. 

A motivação é questão interna e o estímulo externo como, por exemplo, salário, bônus, benefícios e tudo mais. Só que, ao mesmo tempo, a pessoa deve se sentir motivadaIsso começa pelo autoconhecimento. No momento em que começamos a entender o quê, como fazer e o porquê, a produção fica bem melhor. 

Você, independente do que está acontecendo ao redor, sabe qual é o seu próprio combustível.

Eu fico imaginando, nesse momento de crise, como seria melhor trabalhar em um mercado em que a gente realmente confia nas pessoas. Em um cenário em que a liderança conheça seu time de verdade, trabalhe com empatia e que entenda, de uma vez por todas, que seus primeiros clientes são seus próprios colaboradores. Que os colaboradores possam se enxergar assim, como uma parte do todo e não apenas empregados em uma relação comercial. Ou seja, um cenário no qual a gente delega, espera o processo, a curva de aprendizagem e entende o resultado, que pode ser, sim, diferente do que se imaginou. Mas o diferente não é necessariamente pior. 

Quando olhamos para dentro de nós, conseguimos ter empatia pelo outro e também entender qual é o limite dele.

Essa é uma das bases para a sedimentação da cultura do mindset co, que é você conseguir produzir em rede e confiar no poder de execução do colaborativo. 

Então, anote aí esses três fatores: a relação financeira, social e psicológica. 

Esse último item, me arrisco a dizer, é o mais importante. É nele que, de fato, você consegue colocar  suas próprias motivações e realizações no que está entregando. Portanto, a grande diferença entre trabalho e emprego é a relação de amor. Ou seja, o trabalho é quando a intenção vira ação.  

Como dever de casa para vocês, vou deixar aqui duas provocações:


– O que você está fazendo para gerar impacto?

– O que te motiva para levantar e ir produzir todos os dias? É o emprego ou é o seu trabalho? 

Beijos e até a próxima, pessoal!

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Sobre a autora

Juliana Guimarães é paulistana de coração e brasiliense de carteirinha, participou ativamente do processo de aceleração do movimento empreendedor no nosso quadradinho. Especialista em transformar ideias em negócios viáveis, é co-fundadora do 55Lab.co, o qual nasceu como 4Legal, o primeiro coworking de Brasília, responsável pela tração do ecossistema empreendedor na região.

Além disso, contribui para o artigo: Suênia Dantas.

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